Mogi das Cruzes está entre as dez cidades brasileiras (com população entre 300 mil e 800 mil habitantes) que possuem maternidades públicas municipais.
Inaugurada no último dia 9 de maio, a Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa será administrada pela Prefeitura em conjunto – por meio de contrato de gestão – com o Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Ishaoc), referência nacional em gestão hospitalar. “Abrir e administrar uma maternidade exige muita coragem.
É um serviço altamente complexo, com um custo elevado de manutenção e de uma responsabilidade gigantesca. Nós decidimos assumir esse compromisso, com todos os desafios que vêm com uma maternidade, porque era um sonho antigo nosso que as mogianas tivessem um atendimento, neste momento tão importante da vida de uma família, digno, seguro e acolhedor. Este sonho acaba de se tornar realidade e vamos trabalhar todos os dias para que o atendimento seja cada vez melhor. Mogi merecia um complexo hospitalar como este, que, além de lindo e confortável, terá excelência técnica”, avalia Mara Bertaiolli, prefeita de Mogi das Cruzes. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM), entre os anos de 2010 e 2024, foi registrada uma redução significativa da estrutura hospitalar voltada à obstetrícia e maternidade, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS) – mas também incluindo unidades privadas.
Quase 8.000 leitos obstétricos do SUS foram fechados no período. “São muitos os motivos para esta redução, como baixa remuneração dos procedimentos obstétricos pelo SUS, alto custo para manutenção de equipes médicas e UTIs neonatais, redução da taxa de natalidade no Brasil, dificuldade de contratação de obstetras, anestesistas e neonatologistas, entre outros fatores que envolvem a administração de uma maternidade. Abrimos a nossa maternidade conscientes de toda esta complexidade. É bastante desafiador, mas também necessário, para que as mamães e os bebês da nossa cidade tenham acesso ao melhor. Trabalhamos muito para que eles possam ter no serviço público o que até então era oferecido só pelos melhores planos de saúde do País”, comemora o vice-prefeito, Téo Cusatis.
A pesquisa do CFM mostra que a especialidade médica com maior número de processos no Supremo Tribunal de Justiça (STF) é Ginecologia e Obstetrícia, com 42,60% dos casos. De acordo com Caio Medina, médico responsável pelo Ishaoc, que tem ampla experiência em gestão de maternidade, uma boa parte desses questionamentos vem da falta de entendimento dos riscos, já que a gravidez e o parto geram grandes expectativas positivas nas famílias. “É a experiência da paciente que vai determinar o nível de satisfação, de acordo com o acolhimento que ela recebeu em todas as etapas, especialmente no parto e pós-parto”.
Atendimento O atendimento à população na Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa começa na próxima segunda-feira (25/05), com o programa Mãe Mogiana, após avaliações e testes minuciosos das equipes técnicas unidade. Durante os meses de junho e julho, os atendimentos iniciados são mantidos e consolidados, com toda a estrutura do programa Mãe Mogiana em pleno funcionamento. Já em agosto, a unidade passa a operar integralmente, com Pronto Atendimento Obstétrico, partos e todos os serviços previstos, consolidando o complexo como referência regional em saúde materno-infantil.