Descarte irregular de medicamentos vencidos pode causar danos ambientais e riscos à saúde

 Em setembro, Mogi das Cruzes recolheu mais de 17 quilos de medicamentos vencidos jogados em via pública. Já em Suzano, ampolas contendo sangue e urina de animais foram encontradas em uma calçada. Os casos chamam atenção para os riscos que o descarte irregular de medicamentos representa à saúde pública e ao meio ambiente.

O descarte inadequado pode contaminar o solo e a água, além de provocar intoxicação em pessoas e animais. A prática é proibida por lei e está prevista no Decreto Federal nº 10.388/2020, que estabelece a logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou sem uso. A norma obriga farmácias e drogarias a manterem pontos de coleta e locais seguros de armazenamento até o envio do material ao destino final.

Casos recentes de descarte no Alto Tietê

No dia 9 de setembro, a Vigilância Sanitária de Mogi das Cruzes recolheu 17,2 quilos de medicamentos vencidos na Rua Manoel Fernandes, no distrito de Jundiapeba. Entre os produtos estavam analgésicos, antitérmicos, estimulantes de apetite e amostras grátis — todos com validade expirada. O material foi encaminhado para uma empresa especializada em resíduos químicos. Segundo a Prefeitura, não foi possível identificar o responsável pelo descarte.

Já em Suzano, no dia 18 de setembro, ampolas com sangue e urina de animais foram encontradas na Rua Batista Renzi, no bairro Palmeiras. A Prefeitura recolheu o material e encaminhou o caso à Polícia Civil, que investiga a origem.

Especialistas alertam para riscos sanitários e ambientais

O farmacêutico Juan Carlos Becerra Ligos, coordenador do Grupo Técnico de Logística Reversa e Gestão Ambiental do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), avalia que a grande quantidade de medicamentos descartados em Mogi das Cruzes indica origem comercial.

“Isso não vem de residências. É um crime contra a saúde pública. Quem fez isso assumiu o risco de alguém consumir aqueles medicamentos”, afirmou.

Segundo ele, o descarte incorreto expõe pessoas vulneráveis e animais a riscos de intoxicação e causa impactos ambientais sérios.

“Medicamentos devem ser levados até pontos de coleta, nunca ao lixo comum. Temos locais de entrega. Se não há descarte correto, é por falta de conscientização, não de opção”, completou.

Como armazenar e descartar corretamente

Becerra recomenda que os consumidores verifiquem regularmente os medicamentos guardados em casa, separem os vencidos ou fora de uso e os levem até uma farmácia participante ou UBS.
Ele também orienta:

  • Não descartar medicamentos no lixo ou vaso sanitário;

  • Manter os remédios longe do alcance de crianças e animais;

  • Evitar locais com calor, umidade ou luz direta;

  • Separar bulas e embalagens antes do descarte, para evitar falsificações;

  • Identificar os medicamentos de uso contínuo para facilitar a rotina de idosos.

Onde descartar no Alto Tietê

As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel e Suzano recebem medicamentos vencidos ou sem uso.
Biritiba Mirim estuda a implantação do serviço. Já Salesópolis e Guararema não responderam até o fechamento desta reportagem.

(A lista completa de endereços das UBSs e unidades está disponível nas prefeituras municipais.)

Farmácias também recebem medicamentos

A RD Saúde, responsável pelas redes Droga Raia e Drogasil, informou que suas lojas possuem coletores específicos para o recebimento de medicamentos vencidos. Os equipamentos têm sistema antirretorno, impedindo a retirada do material descartado.

Podem ser entregues comprimidos, cápsulas, pomadas, cremes, soluções líquidas e suspensões, preferencialmente em suas embalagens primárias.

A empresa ressalta que agulhas, seringas, frascos quebrados, cosméticos e maquiagens não devem ser descartados nas drogarias. Esses itens precisam ser entregues em UBSs. Medicamentos pressurizados e aerossóis podem ser aceitos, mas apenas de consumidores, não de clínicas ou consultórios.

Conscientização é essencial

A destinação correta dos medicamentos evita contaminação ambiental, falsificações e intoxicações acidentais.
Para o CRF-SP, o descarte adequado é uma responsabilidade compartilhada entre empresas, governo e população.

“Quando cada um faz sua parte, protegemos a saúde pública e o meio ambiente”, concluiu Becerra.

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