A Concessionária Novo Litoral (CNL) informou que moradores da região da Estrada da Pedreira, em Mogi das Cruzes, pagarão uma tarifa proporcional no pedágio da Rodovia Mogi-Dutra (SP-88), que passará a operar no sistema free flow a partir de novembro.
Segundo a empresa, motoristas que tenham origem ou destino no acesso à Estrada da Pedreira serão cobrados com base na distância percorrida ou no uso específico da rodovia. A medida visa contemplar os moradores locais que dependem da rodovia para deslocamentos curtos.
Ainda de acordo com a CNL, o edital de concessão também prevê isenção para motociclistas e um desconto de até 20% para usuários frequentes que utilizam tags eletrônicas. Além dos moradores da Estrada da Pedreira, a concessionária já havia confirmado a isenção total da tarifa para os residentes do distrito de Taboão, também em Mogi das Cruzes.
A empresa destaca ainda que já investiu mais de R$ 230 milhões em obras na região ao longo dos últimos nove meses.
Histórico e polêmica em torno do pedágio
A instalação de pedágios na Mogi-Dutra tem gerado polêmica e mobilização popular há anos. Em maio de 2021, a Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo) publicou o edital de concessão de várias rodovias que ligam o Alto Tietê ao litoral paulista.
Na ocasião, o então governador em exercício Rodrigo Garcia chegou a cancelar o projeto de concessão do chamado Lote Litoral Paulista, que previa a instalação de praças de pedágio na Mogi-Dutra (SP-88) e na Mogi-Bertioga (SP-98).
No entanto, em 2023, já eleito governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou a retomada da concessão durante uma visita a Guararema, contrariando promessa feita em campanha eleitoral, em 2022. Na época, ele declarou que o pedágio seria prejudicial ao desenvolvimento econômico da região.
Durante a visita, Tarcísio alegou que o modelo de concessão atual buscou minimizar impactos ao tráfego local, com a retirada das praças de pedágio de dentro do perímetro urbano de Mogi das Cruzes e a construção de vias marginais. Segundo ele, a medida garante o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.
Concessão e operação do sistema free flow
Em abril de 2024, o Consórcio Novo Litoral venceu o leilão do Lote Litoral Paulista, que inclui a concessão das rodovias Mogi-Dutra (SP-88), Mogi-Bertioga (SP-98) e Padre Manoel da Nóbrega, rota principal entre o Alto Tietê e o Litoral Sul.
A cobrança de pedágio será feita no modelo free flow, em que não há cancelas físicas, e os veículos são identificados por sensores e câmeras. O valor é debitado automaticamente por meio de tag ou cobrado posteriormente via boleto.
Impactos econômicos e reações da população
A decisão de instalar os pedágios tem gerado preocupações entre motoristas e moradores da região. Jonaz Ferraz, orçamentista, utiliza a Mogi-Dutra para se deslocar diariamente até Arujá e calcula que seus gastos mensais com transporte devem subir de R$ 600 para R$ 750 com a inclusão do pedágio.
Já Reginaldo Walter, comerciante há 20 anos na Mogi-Bertioga, teme que o aumento no custo do transporte afete tanto fornecedores quanto clientes. “Vai ser um pedágio para o material chegar e outro para a entrega. Isso encarece tudo, inclusive para o consumidor final”, afirma.
Pressão de prefeituras e da Câmara Municipal
A Prefeitura de Arujá informou que enviou um ofício ao governo estadual solicitando isenção da tarifa para moradores de bairros às margens da rodovia, argumentando que a medida impacta social e economicamente as famílias que dependem da via.
Em Mogi das Cruzes, o ex-prefeito Caio Cunha tentou barrar a instalação judicialmente, e a atual prefeita Mara Bertaiolli declarou ser contrária ao pedágio, prometendo não autorizar a instalação de equipamentos em vias municipais. Ela também busca um acordo com a Artesp.
A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovou uma moção pedindo a isenção da cobrança para todos os mogianos, destacando que o município possui 295 mil veículos licenciados que seriam impactados pela tarifa.
Já Itaquaquecetuba manifestou preocupação com o possível aumento no tráfego local, pois teme que motoristas passem a usar a cidade como rota alternativa para fugir do pedágio, sobrecarregando o trânsito urbano.