Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, foi presa temporariamente na madrugada desta quinta-feira (18), suspeita de ter ajudado na logística do assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. A prisão foi autorizada pela Justiça a pedido da Polícia Civil, que investiga o caso.
Moradora de Diadema, na Grande São Paulo, Dahesly não tem profissão declarada e já possui passagem pela polícia por tráfico de drogas. Segundo os investigadores, ela teria viajado até a Baixada Santista para buscar um dos fuzis utilizados na execução do ex-delegado, morto em uma emboscada em Praia Grande no último dia 8.
Depoimento e imagens do armamento
Em depoimento à polícia, Dahesly afirmou que foi acionada por um homem que pediu que ela fosse até Praia Grande retirar um "pacote". A jovem disse que viajou de carro de aplicativo, pegou o pacote e o entregou ao homem posteriormente, alegando não saber do conteúdo. No entanto, a polícia afirma que dentro do pacote estava um dos fuzis usados no crime.
A suspeita também teve seu celular apreendido. De acordo com a TV Globo, foram encontradas imagens da arma utilizada na execução, o que reforça a suspeita de envolvimento.
Após prestar depoimento no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) na quarta-feira (17), Dahesly foi levada algemada para o Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame de corpo de delito, e depois encaminhada ao 6º Distrito Policial, no Cambuci, região central da capital.
A prisão temporária tem validade inicial de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30.
Anúncio oficial e desdobramentos
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), anunciou a prisão pelas redes sociais:
"Temos a primeira prisão relacionada ao assassinato do Dr. Ruy. Trata-se de uma mulher de 25 anos, presa temporariamente, responsável por levar da Praia Grande para a região do ABC um dos fuzis usados no crime. A polícia segue trabalhando para prender todos os envolvidos."
Operação em andamento
A prisão de Dahesly faz parte de uma operação maior conduzida pelo DHPP e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Na manhã de quinta-feira (18), a polícia realizou uma série de ações para capturar outros dois suspeitos já identificados. Ambos tiveram a prisão temporária decretada.
Durante a operação, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital e na Grande São Paulo. A mãe e o irmão de um dos investigados prestaram depoimento, mas o conteúdo não foi divulgado.
Facção criminosa sob suspeita
Uma das linhas de investigação aponta que o assassinato pode ter sido ordenado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que já havia ameaçado Ruy Ferraz devido ao seu histórico de atuação no combate ao tráfico. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), um dos suspeitos presos chegou a passar por uma ala prisional controlada pela facção.
Outra hipótese investigada é de que a morte esteja relacionada a sua atuação como secretário de Segurança em Praia Grande, cidade onde o crime ocorreu.
O legado de Ruy Ferraz
Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, teve papel central em investigações de grande repercussão. Ele foi um dos responsáveis pela prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e também participou da criação da força-tarefa que resultou na captura de André do Rap.
A execução do ex-delegado reacendeu o debate sobre a segurança de autoridades envolvidas no combate ao crime organizado. O crime foi registrado por câmeras de segurança, e a investigação segue sob sigilo para não comprometer o andamento das apurações.