Família denunciou negligência após morte de bebê em pronto-socorro infantil de Arujá

 A morte da pequena Alice da Silva Oliveira, de apenas 20 dias, gerou comoção e revolta em Arujá. A bebê faleceu após permanecer por cerca de 25 horas em observação no Pronto Atendimento Infantil Pró-Criança Maria Aparecida Bueno Mendonça. A família denuncia negligência médica e afirma que houve falhas no atendimento prestado pela unidade.

A avó paterna da bebê, Rafaela Fernanda da Silva, que acompanhou toda a internação, relatou que Alice deu entrada no hospital à 0h30 do dia 18 de junho com sinais de desidratação, feições abatidas e episódios de vômito. A recém-nascida foi isolada devido ao aumento de casos de bronquiolite e começou a receber soro. No entanto, segundo Rafaela, houve demora no uso de equipamentos adequados e falta de informação clara por parte da equipe médica.

O atestado de óbito apontou como causas da morte inflamação gastrointestinal, broncopneumonia e desidratação. O caso foi registrado como morte natural na delegacia de Arujá.

Segundo a avó, Alice passou por seis auxiliares de enfermagem, três técnicos, cinco médicos, três assistentes sociais e uma psicóloga. A família afirma que, durante o período de internação, a bomba de infusão usada para controlar a hidratação da criança estava com falhas e que a bebê teria ficado por mais de 12 horas sem receber soro adequadamente. Só após a troca de turno e a troca do equipamento, o tratamento foi retomado, quando a bebê apresentou leve melhora.

Ainda segundo Rafaela, apesar de sinais claros de agravamento no quadro clínico, os profissionais teriam garantido que a bebê estava estável e não informaram a família sobre a real gravidade. A tentativa de transferência da criança ao Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos teria sido realizada três vezes, mas sem sucesso, e sem explicações claras sobre os motivos.

A situação se agravou na madrugada do dia 19 de junho, quando Alice sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe tentou reanimá-la, mas a bebê não resistiu. O óbito foi confirmado às 1h32.

A mãe de Alice, Jéssica Aparecida da Silva, de 27 anos, estava internada em outra unidade de saúde após complicações no parto e não pôde acompanhar a filha.

A família pretende entrar com ação judicial contra o hospital e cobra justiça. “A gente só quer que outras famílias não passem pela mesma dor. A Alice foi morrendo aos poucos e ninguém fez nada”, disse Rafaela, emocionada.

📢 O que diz a Prefeitura de Arujá

Em nota, a Prefeitura de Arujá informou que a bebê deu entrada no Pró-Criança com quadro de desidratação grave e que recebeu imediatamente todos os cuidados necessários, incluindo berço aquecido, hidratação por bomba de infusão e monitoramento contínuo. Informou ainda que a criança permaneceu acompanhada pela avó durante todo o tempo.

A administração municipal afirmou que, diante das denúncias da família, foi aberta uma sindicância pela Secretaria Municipal de Saúde e pela organização social Mahatma Gandhi, responsável pela gestão da unidade, para apurar os fatos.

A Prefeitura manifestou solidariedade à família e afirmou estar à disposição para prestar esclarecimentos.

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