Alvos da Operação Bella Ciao articulavam o envio de armamentos e entorpecentes ao Complexo do Alemão, no Rio. Um dos presos movimentou mais de R$ 250 milhões para o crime organizado.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quarta (2) e quinta-feira (3) dois operadores de alto escalão ligados às maiores facções criminosas do país — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As prisões ocorreram no âmbito da Operação Bella Ciao, deflagrada pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD).
Os detidos são Ana Lúcia Ferreira, ex-mulher de Elton Leonel da Silva, o Galã, um dos chefes históricos do PCC, e Gustavo Miranda de Jesus, apontado como braço direito de Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, morto há um mês e considerado um dos maiores fornecedores do Comando Vermelho.
Segundo as investigações, os dois atuavam em uma espécie de “consórcio do crime”, articulando o fornecimento de armas e drogas para o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
👤 Quem são os presos
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Ana Lúcia Ferreira: presa em Taubaté (SP), tem histórico de envolvimento com líderes do PCC, incluindo Galã, com quem teve um filho. Usava sua experiência na fronteira com o Paraguai, em Ponta Porã (MS), para intermediar o tráfico de armas e drogas, atuando como uma articuladora entre PCC e CV.
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Gustavo Miranda de Jesus: preso na Pavuna, Zona Norte do Rio, operava o braço financeiro da facção. Ele teria movimentado mais de R$ 250 milhões em nome do CV, lavando dinheiro por meio de empresas de fachada e eventos como bailes funk. Entre os negócios usados, havia um mercadinho praticamente inativo, segundo a polícia.
De acordo com o delegado Vinícius Miranda, titular da DCOC-LD, Gustavo utilizava familiares como laranjas, e seus pais e irmã já haviam sido presos em uma operação anterior por cederem contas bancárias para o esquema.
🔍 Investigações e articulação entre facções
A operação é resultado de mais de um ano de investigações, que começaram com o monitoramento de Professor, morto com um tiro na cabeça. A partir da análise de suas movimentações financeiras e patrimoniais, a polícia chegou a Gustavo e, depois, a Ana Lúcia.
Segundo a polícia, Ana era uma figura estratégica por conhecer rotas de contrabando internacionais e conseguir transitar entre duas facções rivais, algo raro dentro do crime organizado.
“Ela traz para o Rio o conhecimento de fronteira e atua como uma articuladora para o PCC e o CV. A ligação dela com o Professor é direta”, disse o delegado Miranda.
⚖️ Crimes e desdobramentos
Ambos os presos devem responder por:
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Associação criminosa
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Tráfico de armas e drogas
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Lavagem de dinheiro
A Operação Bella Ciao segue em andamento e novas prisões não estão descartadas. A polícia ainda investiga o possível envolvimento de outros integrantes das duas facções na formação de redes logísticas interestaduais para o crime organizado.
