Uma análise do jornal The New York Times, baseada em imagens de satélite, indica que o recente ataque dos Estados Unidos à instalação nuclear subterrânea de Fordow, no Irã, foi direcionado com precisão a duas estruturas que, segundo especialistas, seriam sistemas de ventilação — um dos pontos mais vulneráveis da fortificação.
A semelhança com uma famosa cena da saga Star Wars não passou despercebida. Fãs da franquia foram rapidamente às redes sociais comparar a ação militar à ofensiva liderada por Luke Skywalker no primeiro filme da série, lançado em 1977. Na trama, o herói destrói a Estrela da Morte ao lançar torpedos de prótons exatamente por um duto de ventilação térmica — o único ponto fraco da gigantesca estação espacial.
Imagens de satélite mostram a instalação nuclear de Fordow, no Irã, antes (2/06/2025) e depois (22/06/2025) do ataque dos EUA.
De acordo com a reportagem, as estruturas atingidas pelos bombardeios eram visíveis nas primeiras fases da construção de Fordow, com registros em imagens de satélite datadas de 2009. A partir de 2011, desapareceram das fotos, possivelmente cobertas por terra. Especialistas acreditam que esses poços serviram como sistemas de ventilação durante a obra e permanecem como pontos vulneráveis à integridade da instalação.
“Atingir um poço de ventilação faz sentido, porque o buraco já penetra a rocha espessa, interrompendo sua estrutura”, afirmou Mark Fitzpatrick, especialista nuclear do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
“Eles são provavelmente os pontos mais frágeis da instalação”, completou Scott Roecker, vice-presidente da organização Nuclear Threat Initiative.
A estratégia norte-americana teria envolvido o uso de bombas do tipo bunker buster, projetadas especificamente para atingir alvos subterrâneos protegidos por concreto e rocha. A operação teria sido executada por bombardeiros furtivos B-2.
Nas redes sociais, internautas ironizaram a semelhança com o filme. “Ok. Eu vi essa operação em um filme. Mandar o explosivo pelo duto de ventilação. Ninguém nas Forças Armadas do Irã assistiu a Star Wars?”, escreveu um usuário no X (antigo Twitter). Outro brincou: “Os arquitetos nucleares iranianos claramente nunca viram Star Wars.”
Segundo Joseph Rodgers, especialista ouvido pelo New York Times, os EUA podem ter contado com inteligência de campo que indicava a vulnerabilidade desses poços.
Antes e depois do ataque
Imagens de satélite obtidas após o ataque, em 22 de junho de 2025, pela empresa Planet Labs mostram alterações visíveis no terreno de Fordow, com marcas circulares, nuvens de poeira e áreas destruídas. Comparadas com registros de 2 de junho, as fotos revelam danos significativos, embora algumas estruturas de apoio pareçam ter permanecido intactas.
Outras imagens, fornecidas pela Maxar Technologies, mostram em detalhe crateras e buracos em uma elevação próxima ao complexo subterrâneo, localizado nos arredores de Qom, a cerca de 156 km ao sudoeste de Teerã. Especialistas avaliam que pelo menos três bombas foram lançadas em dois pontos distintos do local, com danos visíveis na estrutura e na rocha.
Embora o ex-presidente Donald Trump tenha declarado no sábado (21) que Fordow foi “completamente obliterada”, avaliações preliminares de militares dos EUA e de Israel sugerem que, apesar dos danos severos, a extensão da destruição total ainda está sendo analisada.

