O Brasil perdeu três em cada dez negócios voltados à alimentação fora do lar ao longo de 2020, principalmente restaurantes que não conseguiram se manter em pé por causa das medidas restritivas e de isolamento social para conter o avanço do coronavírus.
É o que mostra um balanço feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) citado ao Bom Gourmet Negócios pelo presidente da entidade, Paulo Solmucci. De acordo com ele, são cerca de 300 mil estabelecimentos fechados definitivamente em um setor que já teme um colapso com a demora pela aprovação de novas medidas de auxílio pelo governo federal.
Se esperava a renovação do Programa de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), na semana passada, pelo Ministério da Economia. A expectativa é de que seria divulgado junto do anúncio da volta do Auxílio Emergencial, o que não ocorreu.
Isso ligou um sinal de alerta no setor, que prevê uma onda de fechamentos. Para Solmucci, a situação é semelhante a um doente em estado terminal.
“Em todo o Brasil já perdemos cerca de 300 mil empresas, e as 700 mil sobreviventes entraram em janeiro de 2020 achando que a situação iria melhorar um pouco. Quem está pagando a conta do que aconteceu após as eleições somos nós, o comércio de portas para a rua”, frisa.
A situação vivida em todo o Brasil é um reflexo de um cenário muito parecido ao que vem acontecendo na cidade de São Paulo e região metropolitana. Com uma população semelhante a estados inteiros como Minas Gerais e Rio de Janeiro, os 39 municípios somam 21,5 milhões de habitantes que viram 62 mil trabalhadores dos setores de alimentação fora do lar e hospitalidade perderem os empregos em 2020 de acordo com levantamento do Sinthoresp, o sindicato que representa os funcionários dos segmentos. Destes, 56,2 mil foram em serviços como restaurantes, lanchonetes e serviços de catering – juntos somam 83,5% dos empregos dos setores.
Segundo a pesquisa, estes trabalhadores faziam parte das 35,6 mil empresas que estavam abertas até o final de 2019, entre as quais cerca de 10,5 mil encerraram definitivamente as atividades ao longo de 2020. Para este ano, outras 5 mil afirmam que temem não conseguir se manter de portas abertas por conta das medidas restritivas ainda em vigor por causa do recrudescimento da pandemia.
Segundo Rubens Fernandes da Silva, secretário-geral do Sinthoresp, os serviços de hospedagem e os restaurantes e bares registraram perdas econômicas extremamente significativas. Para ele, a recuperação, quando possível, será lenta e gradual.
“O impacto na cena gastronômica foi abrupto e absolutamente drástico, porque os estabelecimentos de São Paulo ficaram de portas fechadas de meados de março até julho do ano passado. No inicio de julho houve uma reabertura de somente 40% da capacidade, depois a 60%, e agora se retraiu totalmente. Foi uma colisão brutal”, explica.
O que se passa nos negócios do setor que servem aos 21,5 milhões de habitantes de São Paulo e região metropolitana é um reflexo de como o setor está sendo afetado no Brasil como um todo, que estava vendo um crescimento médio de 4,5% ao ano entre 2006 e 2019, e que foi abruptamente interrompido de uma hora para a outra em 2020.
Fonte Gazeta do Povo