Mogianos reclamam de preço do alimento nas prateleiras dos supermercados

A seguidora Maria Iraci Viana, 28, auxiliar de escritório, pontua que os alimentos, especialmente arroz, feijão e carne, estão bem mais caros. “além do gás de cozinha, água e luz afirma". 

“Devido ao aumento dos alimentos, das frutas, verduras e produtos de limpeza, compramos tudo em atacadão. Dessa forma, a compra do mês ao menos fica mais em conta do que nos supermercados de bairro.”

Inflação volta ao debate, afirma BC

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a inflação é um tema que volta à discussão, no momento em que a prévia divulgada pelo IBGE apontou uma “surpresa” nesse início de 2021, principalmente nos setores de serviços e alimentação. “A gente vê que 55% da inflação é de alimentos. Uma parte, de monitorados, deu uma surpresa para cima, como combustíveis e energia. Mas, esse comportamento é global, e quando se olha no longo prazo, não está muito distante do que a gente viu nos últimos meses”, justificou, durante o evento virtual organizado pelo Credit Suisse. Para o presidente do BC, o mercado já precificou o repique da inflação.

Ainda ontem, por meio da ata da sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom), deixou claro que pretende iniciar um novo ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente na mínima histórica de 2% ao ano, para recompor as expectativas inflacionárias. Na opinião de especialistas, o primeiro reajuste será de 0,25 ponto percentual e virá na próxima reunião do Copom, em março.

Campos Neto também avaliou o risco de manter os estímulos fiscais à atividade econômica. “Primeiro porque não temos espaço fiscal. Se, de fato, precisarmos de estímulos fiscais, tem que haver uma contrapartida”, reforçou. Ele considerou que o Brasil teve uma “recuperação impressionante” do crescimento, com uma “acomodação e queda recente. O fim de estímulos como o auxílio emergencial, na virada do ano, porém, pode se tornar um “vento contra”, admitiu.

“O Brasil está na mediana para melhor em termos de impacto dos gastos na recuperação”, disse. Apesar disso, ele ressaltou que o país foi um dos que mais gastaram para combater os efeitos da pandemia, o que levou a dívida pública para 90% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Campos Neto, uma das consequências da estratégia do governo de privilegiar transferências de renda foi a pressão na inflação de alimentos, maior do que em outros países emergentes.

Incerteza

Na ata divulgada, ontem, o Copom avaliou que o cenário doméstico é de recuperação mais lenta ou “mesmo reversão temporária da retomada econômica”. “A incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro trimestre deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”, explicou o Copom. “O comitê ponderou que os riscos fiscais geram um viés de alta nas projeções de inflação, justificando a trajetória com elevação dos juros anterior à assumida sob o cenário básico”, complementou. (Com Simone Kafruni)


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